Thursday, March 25, 2010

Será mesmo que queremos justiça?

Todas as semanas leio a coluna do Rev.Manuel de Oliveira no Metropolitan. Depois de ler a coluna da semana passada “O que fazer quando a religião fere”, parei para pensar. Lembrei que também tinha lido, acerca daquela mãe que deixou o filho morrer de fome, conforme as instruções de uma dita representante de Deus no planeta Terra. Na altura fiquei revoltado e até enojado. Como entender certas atitudes de certas pessoas? Como superar as crises provocadas por aqueles, que deveriam zelar pela vida e pela paz?
As perguntas aparecem naturalmente, mas são abafadas pelo artificialismo da vida moderna. Porque Deus permite ser tão mal representado? Como Deus permite que muitos modifiquem conceitos bíblicos, ao ponto de se assumirem como os únicos donos da verdade? Eu pergunto, embora já saiba de antemão as respostas. Deus é amor em misericórdia e por isso nem precisa responder. Deus escolheu nos dar o direito de escolha, para o bem ou para o mal. A vida e a morte caminham de mãos dadas, sendo que a espada da justiça está na virada da esquina.
A maioria dos cristãos acredita numa justiça vindoura e por isso preferem muitas vezes amordaçar a voz da denúncia. Tanto no mundo católico como no protestante, milhões de vidas têm sido abusadas ao longo dos séculos. Na semana passada, Sua Excelência o Papa Bento 16, pediu perdão por escrito ao povo da Irlanda, pelos abusos sexuais praticados por sacerdotes durante décadas. No entanto pecou por negligência ao não punir os culpados. Porque não foi feita justiça? Quem sabe? Será que o cardeal Ratzinger tem culpas no cartório também?
De acordo com a coluna de Joan Vennochi, estampada no Boston Globe do passado domingo, o cardeal Ratzinger pode vir a ser indiciado, por cobertura de abusos sexuais praticados pelo sacerdote Peter Hullermann, nos anos 80, na região de Munique. O interessante é que o sacerdote em causa foi finalmente afastado, no principio deste mês. Será que queremos mesmo justiça? Não é suficiente aceitarmos os arrependimentos? Eu não aceito. Quando são os religiosos a ferir, precisamos de justiça hoje.
Continuando no tema da justiça, milhões esperam justiça para Isabella Nardoni. Ou será justiça para nós? Se estivesse entre nós teria 7 aninhos. Infelizmente alguém a empurrou para o outro lado, antes do tempo certo creio eu. Terá sido o próprio pai? Li uma grande parte dos comentários no UOL Notícias, acerca do futuro julgamento do casal (pai e madrasta) Nardoni e quase todos apontam para a culpabilidade deles. A maioria acredita, que Alexandre Nardoni jogou deliberadamente a filha pela janela, para ilibar a esposa da acusação de homicídio involuntário por asfixia.
Parece que os dois julgaram erradamente e se precipitaram, precipitando a morte da menina que só estaria inconsciente. O mais triste de tudo é que ela morreu, vítima inocente de relacionamentos quebrados. E se o pai e a madrasta forem condenados, mais duas crianças, os outros filhos do casal Nardoni, serão vítimas da justiça que todos queremos. Para justiçarmos Isabella, vamos penalizar e muito a vida daqueles pequenos. Pense nos seus pequenos antes de bater com a porta.
Gostaria de conhecer pessoalmente os acusados. Ter acesso a eles e conseguir ler as suas mentes. Se eles são mesmo os culpados, será que estão arrependidos? O perdão de Deus, por Jesus, é para todos os que se arrependem dos seus pecados. Mas e a justiça dos homens? Vamos perdoar a todos? Eu próprio preciso de perdão todos os dias. No entanto não podemos deixar que o comodismo do nosso silêncio, permita a liberdade de todos os que cobardemente ferem ou deixam ferir as criancinhas. Religiosos, laicos ou ateus, devem pagar pelos seus crimes. Fui.

1 comment:

Rev Carlos Ferreura said...

Teste...rsssssssss