Saturday, May 15, 2010

Será que os culpados podem ser inocentes?

“Moradores de Pindaré Mirim (260 km de São Luís, MA) saquearam e incendiaram o sítio Recanto Feliz após o adolescente Adriano da S.Freitas, 14, morrer eletrocutado na cerca de arame da propriedade. A Polícia Militar informou que a cerca estava ligada à rede de energia elétrica do sítio, com voltagem de 220V, o que é proibido. O adolescente morreu na hora. Segundo depoimento feito por parentes do garoto aos policiais, ele acordava cedo diáriamente para vender pão. O corpo foi encontrado às 6h35 de ontem por populares. O dono do sítio, Raimundo N.Amorim, segundo a PM, fugiu.
No início da tarde de ontem, a PM foi informada que o sítio estava sendo alvo de saque e destruição. Duas pessoas foram presas em flagrante. A PM não soube informar se eles eram parentes ou familiares do adolescente. A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as responsabilidades pelas morte e outro para investigar os saques. A PM não tinha informação se o proprietário havia se apresentado.” . Li esta notícia no Folha Online de 8 de Maio e comecei pensando na vida, na morte, na inocência e na culpa. Enquanto estava pensando, peguei no Metropolitan News de 7 de Maio e li:
“Numa cidade dos EUA, um homem que passou 29 anos na prisão, condenado por rapto e estupro de uma menina de 12 anos e de um menino de 13 anos foi libertado, depois que exames de DNA o inocentaram. Raymond Towler, 52, foi condenado à prisão perpétua em 1981. No dia em que foi libertado, ele declarou que estava feliz demais e não conseguia sentir ódio por ninguém.”. Acabei de ler e pensei em escrever sobre o assunto da vida, da morte, da inocência e da culpa. Tomei a decisão e só então reparei que o assunto não era fácil. E agora? Que é que eu faço? Apago tudo e escrevo sobre outro assunto? Não.
Vamos lá então. Claro que o dono do sítio Recanto Feliz é culpado da morte do adolescente, mas existem atenuantes. Ele não premeditou a morte de Adriano. Na procura de segurança e talvez de privacidade, infelizmente provocou o fim da vida do vendedor de pão, naquela cidade do Maranhão. Será que podemos perdoar o sr.Amorim? E podemos perdoar aos que estavam roubando e destruindo? Talvez sim e talvez não. E aos que sentenciaram o sr.Towler à prisão perpétua? Perdoamos ou não? E ao pastor que “ungiu a mulher do próximo no colo do busto”, vamos perdoar? Pois é e agora? Como ficamos?
Na verdade quando pensamos na nossa culpa, sempre procuramos por desculpas. Por oposição, quando pensamos na culpa alheia, somos tentados a piorar as coisas. Porque será que somos assim? A culpa é quase sempre dos outros. Porque Deus nos fez assim? Será que é justo, procurarmos fazer justiça pelas nossas próprias mãos? A vida já é tão imprevisível, de que serve piorar as coisas? O mais justo é vivermos procurando razão para a nossa vida. Adão e Eva, nos condenaram a todos com culpa de morte, mas como Jesus não fugiu da cruz, somos livres para viver sem medos. Quem me pode condenar, se já fui declarado inocente?
Mesmo quando tudo parece indicar, que a nossa inocência está em perigo, precisamos confiar que a culpa nunca será tão grande, quanto o amor de Deus. Claro que a nossa vida deve ser exemplar e precisamos ser inocentemente justos, mas a verdade mesmo é que só por Jesus, somos justificados. Choramos as mortes, mesmo quando são previsíveis e sempre ficamos irados com as injustiças. Jesus foi declarado culpado e foi condenado à morte de cruz, mas era inocente. E você e eu? Como está a nossa posição, perante a eternidade? A vida não nos pertence. É um empréstimo. Creia que pelo sangue de Jesus, até a culpa pode receber perdão no tribunal da vida e da morte eternas. Se ligue. Fui.

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