Saturday, July 10, 2010

Saramago morreu e daí?

Morreu nesta sexta-feira (18 de Junho) em Lanzarote (Ilhas Canárias, na Espanha), o escritor português José Saramago, aos 87 anos. Em 1998, Saramago ganhou o único Prêmio Nobel da Literatura em língua portuguesa. A Fundação José Saramago confirmou em comunicado que o escritor morreu às 12h30 (horário local, 7h30 em Brasília) na residência dele em Lanzarote, onde morava desde 1993, "em consequência de uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença. O escritor morreu estando acompanhado pela sua esposa, despedindo-se de uma forma serena e tranquila".
Em 1991, publicou O Evangelho Segundo Jesus Cristo, livro censurado pelo governo português, o que o fez exilar-se em Lanzarote durante o resto da sua vida.
Nesse livro escreveu barbaridades como “por viver Jesus com Maria Magdalena sem com ela estar casado, prostituta que havia sido” e outras ainda piores. A imaginação de Saramago chegou bem perto da perversão lunática, descrevendo Jesus como um fantoche nas mãos dum deus déspota. Mesmo não desejando embelezar o meu cristianismo, não posso passar sem criticar a deturpação literária dele, relativamente aos evangelhos, cheia de sentimentos anti-cristãos.
Entre seus outros livros estão os romances O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986), Todos os Nomes (1997), e O Homem Duplicado (2002); a peça teatral In Nomine Dei (1993) e os dois volumes de diários recolhidos nos Cadernos de Lanzarote (1994-7). Um livro dele O Ensaio sobre a Cegueira (1995) foi transformado em filme pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles em 2008 e foi um sucesso. Recentemente escreveu um livro sobre Caim, que causou tremendos atritos com as comunidades cristã e judaica. Pior que o livro foram as suas declarações acerca das qualidades do Deus da Bíblia.

Para mim, Saramago foi um homem inteligente e até mordaz na sua criação literária. Denegriu a religiosidade, explorou os medos e abusou da língua portuguesa de forma polémica. Conseguiu que um novo mundo de sombras, recalcamentos e ressentimentos, tirasse vantagens de uma forma linear e positiva de ver a vida. Perseguido pelos fantasmas do passado, encontrou no comunismo, uma forma de atacar os sentimentos cristãos de um povo devoto. Contra as tradições religiosas, avançou com um ateísmo doentio, ganhando fama na ponta da pena, escrevendo sobre quem para ele não passava de uma invenção humana.
Foi ele quem falou “Ser comunista é um estado de espírito”. Que contradição! Como conciliar a ditadura do silêncio com a liberdade do grito de esperança, de espíritos sedentos de um mundo melhor. No entanto ele se manteve firme nas suas convições e isso nós precisamos respeitar. Nos dias de hoje infelizmente, vemos muitas pessoas renegando o passado talvez sofrido, mas abençoado, por um presente de verdinhas que lhes sugam a alma e penhoram o futuro. Claro que todos devemos procurar um futuro melhor aqui no planeta Terra, mas nunca esquecendo que “talvez” exista outra vida depois desta.
Finalizando, preciso escrever que precisamos respeitar todos os seres humanos, independentemente das suas crenças. Todos fomos criados à imagem e semelhança de Deus e é por isso mesmo, que somos livres para escolher, definir e até mudar a nossa vontade. Saramago fez a escolha dele e agora está perante a justiça divina. Toda a capacidade e brilho dos seus dotes escriturísticos, vão empalidecer com o brilho e luz da glória das cortes celestiais. Para quem acredita é claro. Ninguém vai conseguir escapar. O joio irá ser ceifado e lançado no sofrimento eterno, enquanto que o trigo irá ser colhido, entrando numa nova vida, repleta de paz e amor.

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