Quando a Copa-2010 se desenrolava, as chuvas destruíram 14.316 casas em Pernambuco. Quando o Mundial-2014 acontecer no Brasil, o governo do Estado terá assumido gastos para construir um estádio que seriam suficientes para recuperar todas as moradias, com sobras. Financiada pela União, a renovação das casas atingidas na tragédia custa, em média, R$ 30 mil. A verba estadual para a Arena Capibaribe, que terá empréstimo federal, é de R$ 464 milhões, mais de 15 mil vezes o valor de uma moradia. Essa prioridade ao Mundial é verificada em comparação feita pela Folha entre orçamentos de oito Estados e do Distrito Federal e seus projetos de arenas.
Nove estados da União investirão R$ 4,831 bilhões em seus estádios. Esse dinheiro representa oito vezes o que os nove governos gastaram com habitação em 2009 --R$ 589 milhões. Ou seja mantendo esse nível de investimento, os governos estaduais usarão para construir casas à população até 2014 a metade do dinheiro das arenas. Há a necessidade de 5,8 milhões de habitações no Brasil, diz o governo federal. O total de dinheiro estadual investido nessas nove arenas é quase quatro vezes o investimento em saneamento básico em 2009 --R$ 1,269 bilhão.
Muitos outros dados estão disponíveis e todos apontam para um “montão” de investimentos fundamentais para o futuro da população brasileira, deixados para trás em detrimento de investimentos duvidosos. Um quarto das famílias brasileiras ainda não tem acesso ao saneamento básico, segundo dados federais. Como ficamos então? Será que taças, medalhas e títulos são mais importantes? Sim, defendem milhões e não, retrucam outros milhões. O governo federal defende que os investimentos previstos, irão promover a melhoria do nível de vida, dos habitantes das capitais dos estados envolvidos na Copa. Será mesmo?
Não sou ignorante ao ponto de não reconhecer que desigualdades sempre vão existir em todos os países. Jesus falou que “os pobres sempre estarão conosco” e portanto até será como que uma necessidade para que a bondade supere a indiferença. Mas por outro lado não posso deixar de expressar a minha indignação contra projetos megalómanos, enquanto a educação e o saneamento básico são rebaixados para segundo plano. Parece que os politicos do poder só se preocupam com os grandes números, fazendo alarido de que tudo está melhor, esquecendo completamente o “pequeno” eleitor. Pouco ou nada querem saber dos que sofrem para chegarem vivos no dia seguinte.
Infelizmente existem milhões de pessoas que também vivem ao meio de um mundo de ilusões. Vivem vidas duplas. Nas ruas desta vida aparentam terem tudo, mas na verdade estão deslizando pelas encostas da falsidade. Não é que sejam infelizes, mas felizes não são de certeza. Vivem de aparências. Sonham com o dia em que irão ganhar a loteria. Investem na fachada, mas quase sempre esquecem o interior, tanto na vida material como na espiritual. Mentem com um sorriso nos lábios e se iludem a eles próprios. Se promovem nos e com eventos mirabolantes, na procura de uma afirmação que demora para chegar.
Finalizo com umas considerações desconsideradas. Gosto de futebol e até gostei de ver os novos estádios na África do Sul, mas infelizmente tudo continua na mesma por lá. E no Brasil como será no final de 2014? Copas, carnavais e outros eventos mais são interessantes, mas não passam de nuvens passageiras sem água. O importante mesmo é saber onde encontrar água que dê vida verdadeira. A escolha é sua. Pode continuar acreditando que veio do macaco e se iludindo que a vida acaba por aqui mesmo. Pode continuar acreditando nos politicos e religiosos de eventos e se iludindo com promessas ou então crer na verdade que é Jesus. Não se iluda.
Wednesday, September 08, 2010
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